Câmara Brasileira do Livro aposta em eventos culturais para atrair o cidadão à literatura


Nova diretoria da CBL quer que a leitura se torne parte do cotidiano do cidadão brasileiro

Por: Ana Paula Miranda

A Câmara Brasileira do Livro é responsável pela organização de eventos importantes para a literatura e tem como plataforma colocar o livro como ponto central em todo país.

A quarta edição da Pesquisa Retratos da Literatura no Brasil, promovida pela CBL, Sindicato Nacional dos Editores do Brasil (SNEL), Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (ABRELIVROS) e realizada pelo Instituto Pró-Livro, foi divulgada em maio deste ano e tem como objetivo central conhecer o comportamento do leitor medindo a intensidade, forma, representações e as condições de leitura e acesso ao livro – impresso e digital – pela população brasileira.

O levantamento mostrou que houve um crescimento no número de leitores em relação ao mesmo período da edição anterior. A pesquisa ouviu 5.012 pessoas – alfabetizadas ou não – e seguiu os mesmo moldes das pesquisas passadas*.

O estudo é separado em dois grupos: leitor, aquele que leu – inteiro ou em partes – pelo menos um livro nos três meses antecessor à ela e o não leitor, aquele que declarou não ter lido nenhum livro nos três meses anteriores. Sabendo disso, a Retratos da Literatura no Brasil mostra uma melhoria no perfil do leitor brasileiro.

Concluiu-se que 56% da população acima dos 5 anos de idade leram pelo menos um livro nos últimos três meses (antecessores a pesquisa). Em 2011, quando foi realizada a última edição, o índice era de 50%. A Retratos ainda mostra que houve um aumento nos índices de leitura per capita. Se em 2011, um brasileiro lia quatro livros por ano, em 2015, o índice chegou a 4,96.

Vera Esaú, gerente de comunicação da CBL, comemora esse aumento de público. Para ela, o mercado editorial está em transformação. Atualmente o público possui muito mais opções, podendo consumir obras não apenas em formato físico, mas digital ou auditivo. Também há autores que auto-publicam suas obras e o surgimento de editoras independentes, quebrando assim aquela ideia de editoras tradicionais e livros apenas impressos.

“Hoje nós temos muitos modelos de negócio que ajudam a leitura, seja no papel, celular, tablet ou computador. Acreditamos sim, que apesar da defasagem da educação, as pessoas estão lendo, sim, e mais, se não necessariamente livros, estão consumindo conteúdo”.

As feiras literárias são os maiores exemplos positivos no setor editorial. Elas atraem uma grande quantidade de público e contribuem para a formação de novos leitores. Independentemente de compras, essas iniciativas fomentam o mercado.

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Há tempos a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, por exemplo, vem mudando seu formato com o intuito de ser um evento mais cultural, deixando de ser apenas uma feira de livros. Com palestras, shows e diversas atividades, a atração chama atenção do público e torna o evento mais agradável. Esaú explica que essa mudança aconteceu para mostrar que “além do mundo de livros que você pode ter, há um evento multicultural”. Isso acontece, pois, segundo ela, um livro contém temáticas variadas, então, porque não aproveitar em um evento maior?

A 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo teve como tema “Histórias em Todos os Sentidos”, justamente com objetivo de convidar o visitante a conhecer diversos lados de uma história. Dividida em ambientes, o evento recebeu palestras, contação de história, shows de músicas, cordéis e até culinária. Em todas as atrações, a estrela principal era o livro. A organização acredita que dessa forma atrairá um público diferente e com mais interesse.

Outra novidade para esse ano foram os roteiros criados no site do evento. Após ouvir reclamações do público sobre a Bienal anterior, a CBL resolveu criar um sistema de senhas distribuídas com antecedência para as maiores sessões de autógrafos e roteiros para os fãs de um determinado estilo. Pelo site ou aplicativo, o usuário terá mais conforto para escolher os eventos dos quais quer participar. Ainda pensando no bem-estar do público, a Bienal contou com um pavilhão a mais, visando um fluxo mais confortável entre um estande e outro. Os ônibus gratuitos que partiram do Terminal Tiête – todos os dias – e do Terminal Barra Funda – apenas de fins de semana – facilitaram o trânsito e a chegada do visitante.

Há tempos os eventos literários deixaram de serem feiras de compra e venda e passaram a ser mais interativos. As editoras passaram a valorizar mais os autores nacionais e eles sempre estão à disposição de encontrar seus leitores para conversas sobre as obras.

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Youtubers

Fenômenos desde 2015, os youtubers vêm tomando espaço nas prateleiras de livrarias e lares. Nomes como PC Siqueira, Jout Jout, Felipe Neto, Maju Trindade e Kéfera não saem das conversas dos jovens e ganham espaço em grandes eventos como Bienais. A curitibana e dona do canal 5incoMinutos, Kéfera Buchmann foi a autora mais vendida durante a Bienal do Rio de Janeiro, em 2015, o que faz com que muitos autores e livreiros “torçam o nariz” questionando se são livros de qualidade ou não.

A gerente de comunicação da CBL, Vera Esaú, é incisiva quando diz que esses livros são importantes e ajudam a trazerem novos leitores. “São livros com frases curtas, com ‘bobagens’, mas o jovem lê esse, depois lê o de outra youtuber e assim começa a pegar gosto pela leitura. Por que não? A comunicação hoje é essa, tudo acontece muito rápido, é o momento de aproveitar isso e trazer os jovens para a leitura. Tudo é válido, pois a CBL acredita que nenhum desses novos formatos tirará o brilho dos livros impressos. Eles coexistem”.

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