Da web para os livros


Jovens escritoras brasileiras que estão encantando os leitores com seus contos interativos e fictícios

Por: Angela Rocha

Evoluir é preciso, e a literatura todo ano nos presenteia com novos talentos. A preocupação com os que os novos jovens vem lendo aumenta a cada dia, isso porque os livros estão sendo trocados por mensagem de 140 caracteres, textos resumidos e vídeos que explicam tudo sem a ajuda da leitura. O que prejudica não só as grandes livrarias e escritores, mas também a nossa cultura literária.

Quem não conhece alguma história que antes de virar um livro de sucesso, e até mesmo uma trilogia, não tenha ouvido falar que o livro antes era uma fanfic? Esse foi o caso do livro After, da escritora Anna Todd, que teve um bilhão de acessos em sua história fictícia, na plataforma de leitura Wattpad, e graças a isto a sua história se tornou um livro. O filme 50 Tons de Cinza, antes de ser livro, também era uma história fictícia.

Para quem não tem conhecimento da palavra: fanfic são histórias fictícias criadas por fãs. Como a da escritora Anna, a história criada por ela, na verdade foi baseada na banda One Direction, que faz muito sucesso na vida real, como o livro ainda faz.

Outra escritora desse universo fictício que faz bastante sucesso, é a escritora e blogueira Babi Dewet. Uma carioca, que hoje vive em São Paulo, formada em Cinema e autora da trilogia Sábado à Noite. Babi escrevia para o site Fanfic Addiction, uma plataforma online que ainda está disponível para quem gosta de ler e escrever histórias sobre ídolos ou criar personagens.

Dewet também participou da criação do livro Um Ano Inesquecível (UAI), em parceria com as blogueiras e autoras Bruna Vieira, Paula Pimenta e Thalita Rebouças. E lançou na 24ª Bienal de São Paulo o seu mais novo livro Sonata em Punk Rock, da sua trilogia Cidade da Música.

Em entrevista, Babi nos conta como sua fanfic virou um livro.

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Nova Millennium: Como começou o seu envolvimento com a escrita?
Babi Dewet: Sempre gostei de ler e escrever porque minha mãe sempre me incentivou e enchia minha casa de livros. Com 15 anos que descobri a internet, Harry Potter e fanfics e daí comecei a escrever para as outras pessoas, o que acho que iniciou minha carreira como escritora de alguma forma.

NM: Alguém do mundo literário te inspirou?
Dewet: Definitivamente a JK Rowling, o Pedro Bandeira e, mais tarde, o André Vianco quando eu decidi me publicar de forma independente.

NM: Você fez faculdade de cinema, qual foi o motivo de ter escolhido esse curso?
Dewet: Eu sempre gostei de filmes, de roteiros, de produção e tudo mais. Pelo fato de escrever minhas histórias pensando em formas mais visuais, então a faculdade foi importantíssima na minha formação como escritora.

NM: Qual foi sua maior dificuldade para produzir seu primeiro livro?
Dewet: Primeiros livros são normalmente mais difíceis. A gente tem pouca experiência e precisa se esforçar muito pra abrir algum lugar no mercado literário. Meu primeiro livro foi independente e, naquela época, não existiam plataformas como Amazon ou Wattpad, por exemplo. Lancei por uma gráfica e o processo foi incrível, mas não foi fácil. Acredito que a parte de venda e divulgação do independente seja a maior dificuldade, normalmente.

NM:Sobre Um Ano Inesquecível, como foi a parceria com a Paula Pimenta, Bruna Vieira e a Thalita Rebouças?
Dewet: Foi incrível! A editora que juntou todas nós e as três me aceitaram super bem. Foi uma experiência impagável!

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NM: Alguma dica para quem quer escrever um livro?
Dewet: Estudar o mercado editorial, as editoras, livrarias, gráficas, o processo de produção do livro e tudo mais. Fazer cursos, perguntar, conhecer novos autores e editores, participar de eventos e investir na sua carreira. Tudo isso é necessário e faz com que o autor novo não seja só mais um ou se sinta um peixe fora d’água no meio de todo mundo.

NM: Se pudesse recomendar um livro aos leitores, qual seria?
Dewet: Recomendo o livro Os Sete, do André Vianco, que me ensinou muito ao incluir cenários comuns ao leitor brasileiro, entre outros detalhes de narrativa.

NM: Sonata em Punk Rock é o primeiro livro da série Cidade da Música, e serão três volumes não seriados. De onde veio esta ideia?
Dewet: A editora queria um livro sobre música e jovens, daí sentamos e discutimos essa ideia. Foi algo conjunto, mas dentro da ideia da Gutenberg mesmo. A editora já sabia do meu estilo e queria algo que pudesse dar continuidade a isso.

NM: Em SAN e no seu novo livros vemos muito sobre música, ela te ajuda bastante a escrever seus livros?
Dewet: Muito! Grande parte da minha inspiração vem das músicas e dos clipes e cenas que eu tento imaginar que elas proporcionam. Acho que normalmente músicas explicam sentimentos muito melhor que palavras, então unir isso aos livros pra mim faz muito sentido.

NM: Você ainda tem contato com fãs que liam SAN antes de virar um livro?
Dewet: Com muitos! E é incrível. Em todo evento tem algum leitor que lia as fanfics desde o início, e isso tem quase 10 anos! É muito emocionante e eu me sinto muito abençoada por isso.

NM: Quais são os seus planos? Próximos projetos?
Dewet: Estou bem focada na série Cidade da Música, então ainda são meus próximos projetos e meus objetivos pros próximos anos!

NM: Qual a importância da Bienal pra você?
Dewet: Bienal é onde a gente encontra leitores de várias partes do país, onde conhecemos novos leitores, novos autores, editores e vemos o mercado literário funcionar a todo vapor na nossa frente. É incrível, essencial e importantíssimo pra todo mundo que gosta e se importa com a literatura, inclusive nacional.

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