#GIRLPOWER: A importância da representatividade feminina no universo dos Super Heróis


Conversamos com a autora Lisa Yee sobre sua carreira, a série DC Super Hero High e empoderamento feminino

Por: Ana Paula Lima | Colaboração: Victoria Gomes

Nascida no entorno de Los Angeles, Lisa Yee sempre gostou de ler. Além de autora, ela já trabalhou como redatora publicitária, jornalista, diretora criativa e redatora em TV, faltando apenas atuar como modelo.
Seu sonho de ser autora surgiu muito cedo, Lisa sempre se encantou com as palavras, achando incrível o poder que uma boa leitura tem em relação ao seu público, mas, mesmo gostando muito da carreira levou anos para seu sonho se tornar realidade.
Ela ganhou notoriedade escrevendo young adult e já possui mais de 17 romances publicados. Seu primeiro livro Millicent Min – Girl Genius recebeu o respeitado Prêmio Sid Fleischman Humor Award em 2004.
Atualmente, Lisa Yee é conhecida pela série DC Super Hero Girls, que conta a histórias das super-heroínas – e vilãs – no Ensino Médio. No Brasil, a série está sendo publicada pela Editora Rocco e já possui dois volumes à venda. O primeiro conta a história da Mulher Maravilha, o segundo, da SuperGirl e o terceiro é sobre a BatGirl. Conversamos com a autora para entender como surgiu o convite para escrever a série e a importância de falar sobre minorias e empoderamento feminino através da literatura.


Nova Millennium: Como foi o convite para escrever sobre as heroínas da DC?
Lisa Yee:A DC conhecia um livro que eu escrevi chamado WARP SPEED. É sobre um menino que é obcecado com Jornada nas Estrelas, Batman e Star Wars. Então, eles sabiam que eu entendia os mundos dos super-heróis e da ficção científica e seus fãs. Além disso, havia escrito mais de uma dezena de livros e eles estavam procurando alguém que soubesse montar uma história emotiva, engraçada e que prendesse a atenção. Depois, me disseram que eu tinha “a quantidade geek perfeita”. Eu amo isso!

NM: Suas personagens já são bem conhecidas e você deve estudar bastante para escrever as obras. Qual base você utiliza para criar a personalidade de cada personagem?
LY:No começo, foi intimidador escrever sobre a Mulher Maravilha e sobre os outros heróis icônicos da DC. Eu estava muito nervosa! Me deram um documento enorme com as histórias e características de vários personagens da DC e estudei todos. Mas aí percebi que eu não estava escrevendo sobre heróis que eram adolescentes. Eu estava escrevendo sobre adolescentes que eram super-heróis. Quando isso aconteceu ficou muito mais fácil. Eu pegava os poderes deles e imaginava como seria ter esses poderes, ou tomava alguma coisa da história original e elaborava. Por exemplo, quando estava escrevendo sobre a Supergirl, eu mergulhava em como seria se você visse seu planeta sendo destruído e perdesse todos que você já amou.

NM: Qual é o seu processo criativo para a criação do enredo? Você lê HQs ou assiste filmes por exemplo?
LY: Eu começo anotando muitas e muitas ideias. A maioria não entra na história. Mesmo assim, algumas borbulharão e vou querer explorá-las mais. A partir disso, a história começa a se revelar para mim. Por exemplo, em Batgirl at Super Hero High, eu queria explorar a relação dela com o seu pai, o comissário de polícia Gordon. Quero dizer, e se você soubesse que deve fazer alguma coisa ou ser alguém, mas seu pai ou sua mãe diz que não?

NM: Nunca se falou tanto sobre empoderamento feminino – principalmente aqui no Brasil – como você se sente sabendo que suas obras se tornam espelho para diversas jovens?
LY: É muito liberador escrever sobre mulheres fortes. Nos meus livros, geralmente as meninas salvam os meninos… e homens. Eu escuto de leitores toda hora e é a melhor sensação. Heróis vem em todas as formas e tamanhos e agora é a hora das nossas super-heroínas serem o centro das atenções, algo que demorou demais para acontecer.

NM: De todas as obras lançadas para DC Super Hero Girl, qual você mais gostou de escrever?
LY: Mesmo amando escrever todos os livros, o da Katana foi especialmente divertido porque eu fui para o Japão pesquisar. Enquanto eu estava lá, estudei samurais e tive aulas de Ninjas! Há um mistério para ser descoberto na história e isso foi divertido de criar.

NM: No Brasil, já foram lançadas duas de suas obras (Wonder Woman e SuperGirl). Você pretende visitar o país algum dia desses?
LY: Eu já estive no Brasil! Escrevi uma série para a American Girl sobre uma garota que visita o irmão no Brasil. Para pesquisar sobre isso, fui à floresta amazônica, Salvador e muitos outros lugares. Foi muito legal! Ah, e a comida era tãooooo boa!

NM: Além de Wonder Woman, SuperGirl, BatGirl e Katana, haverá mais alguma personagem inspiradora? Se sim, você poderia nos adiantar qual??
LY: Acabei de escrever Harley Quinn at Super Hero High. A Harley é tão divertida e engraçada – foi incrível escrever sobre ela. E estou começando um novo livro das Super Hero Girls da DC. Mas, não posso falar sobre quem é ainda… é um segredo!

NM: Você pretende escrever livros com meninas/mulheres empoderadas, mas que não sejam personagens de HQs? Se já publicou, fale sobre.
LY: Eu já escrevi muitos livros sobre meninas fortes, começando com Millicent Min, Girl Genius, sobre uma menina de 11 aos que está no ensino médio. Tem também Absolutely Maybe, sobre uma adolescente que está buscando o seu pai que nem sabe que ela existe, e tem seis livros que eu escrevi para American Girl, incluindo a série da Lea Clark no Brasil. Mas planejo continuar escrevendo sobre mulheres fortes, sejam elas super-heroínas ou não. No final, é quem somos e as histórias precisam ser contadas.

NM: Se pudesse deixar uma mensagem para os leitores, qual seria?
LY: Abrace seu superpoder. Talvez você não saiba qual é ainda, mas está aí. Algumas pessoas nascem sendo heróis, outras se transformam. Mas o que todos têm em comum é a vontade de fazer um mundo um lugar melhor. Nós podemos fazer isso, mesmo em ações pequenas, começando hoje.

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